Gaiolas de prata
Coisa complicada é ser pássaro. Sentir suas asas pequeninas e observar a amplidão do horizonte. É muito céu. É tanta luz! A amplidão estremece o coração.
Então, o pássaro olha o céu, olha as asas, sabe-se criado para vislumbrar o mundo do alto do azul, mas o pássaro teme. É assim que o passarinho cria, em seu sonho, a sua pequena gaiola de prata. E o passarinho se prende ali dentro e joga fora a chave da razão, única capaz de abrir a gaiola.
E o pássaro se sente seguro, glorifica a gaiola e enaltece a sua máxima proteção. E o pássaro não voa, não sonha, não é. E o pássaro desmente a si mesmo e se desnatura, inexistindo um tanto mais a cada dia, na gaiola que ele mesmo construiu para dentro em si.
Coisa complicada é ser pássaro e pensar que borboletas, embora tenham nascido sem asas, tão mais frágeis e puras, colorem destemidas o céu que um passarinho de gaiola nem ousaria tocar.
Nara Rúbia Ribeiro
domingo, 6 de janeiro de 2013
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