Todos os dias ando 120 km de ônibus e quando não estou dormindo ou absorvida numa leitura, observo a reação das pessoas.
De manhã os homens são campeões do mau-humor. Pedi com toda educação ao rapaz da poltrona à frente que fechasse a janela, afinal o vento era todo para mim e inflava meus rebeldes cabelos, enrijecia minha pele e ardia meus olhos. Com toda indelicadeza ele fechou a janela, daquele jeito "na sua casa não tem geladeira?"
Estou aprendendo a tolerar o vento e as pessoas.
Certo dia uma família demonstrava entusiasmo como se a viagem fosse um passeio. Na verdade era um passeio o que para mim e tantos outros se tornara um fardo.
As filhas do casal fotografavam a beleza que nossos olhos acostumados de ver não percebiam mais. Então, mergulhei naquela aventura e resolvi olhar a paisagem bela e gratuita que passava pela janela. Como o cotidiano nos cega.
Nem mesmo o vento seco e alguns olhares cansados, nem eu, às vezes doente de cansaço ou preguiça, nada é capaz de apagar a vista da Serra do Estrondo, tão linda e da chegada a Palmas, uma visão nobre.
Nesse ir e vir muitas histórias ainda serão registradas aqui.
domingo, 15 de janeiro de 2012
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