domingo, 5 de agosto de 2012

Dirigindo o caminhão

Certa vez escrevi  o texto "Um dia chegamos lá", sobre um caminhão pesado que provocou uma grande fila atrás dele. Disse que assim é a vida, quem tem grande peso, rancor, remorso, vai emperrando tudo ao seu redor.
A escritora Leila Ferreira conta a história de uma mulher que dizia ter vindo ao mundo de bicicleta, leve, sentindo a brisa em seu rosto, imagino. Enquanto isso, me via dirigindo um caminhão, pesado, lento e cheio de cargas que, inutilmente, me fazia  andar devagar.
Jogar fora as cascas das horas como Quintana, jogar fora as cargas e trocar o velho caminhão por uma bicicleta. Viver a vida sem a pressão das horas, ou simplesmente não contá-las. Conceder mais "ser do que ter", viver apenas.
Vocês já viram como é difícil conviver com pessoas que só reclamam, que ao dar um bom dia, respondem aos resmungos. Que não apreciam o que de bom a vida oferece? Pessoas que só andam de caminhão.
Bom mesmo é apreciar um dia com os amigos, ouvindo um belo Sax ao luar, coisas sublimes, como vivi a noite passada. Deixei o caminhão em casa, larguei os pesos e pude desfrutar a alegria daquele momento.
Melhor é abandonar de vez a carga negativa que insiste em nos derrubar e viver a vida de "Alma Leve", como canta tão bem Léo Pinheiro. Sentir a brisa fresca, o cheiro de terra molhada, que seja da chuva ou do regador, afinal não chove há dias.
Seja dias de sol ou chuva, de noites com ou sem luar, a vida é nobre e leve, não precisamos pesá-la com tranqueiras inúteis.

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