domingo, 3 de abril de 2011
Sou curiosa. Não consigo dormir com uma palavra desconhecida na cabeça. Não consigo parar de estudar, embora ainda não entenda onde quero chegar. Lembro de uma crítica: "enquanto você estuda, eu ganho dinheiro". afff
Mesmo assim, continuo filosofando, afinal, sem filosofia o mundo fica preto e branco, desprovido de mistérios, de encanto e criatividade.
Como disse Josef Pieper sobre a crítica filosófica: " Ela tem que reter o peixe que queremos pegar, mas também tem que deixar passar a bota imprestável, que não serve para nada. Já o peixe que queremos fisgar presta para muita coisa, até mesmo para o colocarmos num aquário e o ficarmos só admirando."
Então a filosofia pode ser um alimento ou estado contemplativo, assim também é o conhecimento, útil e agradável.
Voltei filosofando....
...de passagem
Um viajante, passando pela casa de um monge Zen, perguntou admirado:
- Onde estão os teus móveis?
A que o monge respondeu, perguntando:
- E os teus?
- Mas eu... retrucou o viajante, estou só de passagem.
- Eu também – respondeu o monge. (conto Zen)
- Onde estão os teus móveis?
A que o monge respondeu, perguntando:
- E os teus?
- Mas eu... retrucou o viajante, estou só de passagem.
- Eu também – respondeu o monge. (conto Zen)
Embora de passagem, carregamos em nossas costas tantas coisas desnecessárias, supérfluas, talvez por desconhecer o que seja necessário ou não.
Disse o mestre Jesus:
" Não vos inquieteis, portanto, com o dia de amanhã, pois o dia de amanhã já terá as suas preocupações. Basta a cada dia o seu trabalho."
Então, já sobrecarregados das dificuldades diárias ainda criamos necessidades que só nos trazem mais cargas. Preciso daquela roupa, como se não vivesse sem ela. Preciso comprar aquele lançamento, seja de qualquer coisa, como se não tê-lo me faria excluído, cabisbaixo.
Assim é o senso comum, meros meios de expressão do que o povo, de uma forma geral pensa ou são estimulados a pensar.
O senso comum alimenta , em nossa sociedade, a propaganda e a moda, sempre inventando o extraordinário, o novo e necessário. Gera a admiração, tornando os bens de consumo maravilhosos, miraculosos, mágicos.
A compulsão só é freiada pela crítica, ou senso crítico, que a ele se contrapõe. Trata-se de um filtro, uma malha que retém o que é válido e necessário e deixa passar o que não presta.
O senso crítico transforma aparentes certezas em incertezas, afirmações em perguntas, soluções em problemas.
O bom senso é objetivo, quantitativo, diferenciador.
Uma mochila pesada, cheia de excessivas bagagens, só torna a viagem cansativa e muitas vezes penosa. Melhor deixar o desnecessário e fazer a viagem carregando apenas os conhecimentos adquiridos pelos caminhos afora.
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