domingo, 15 de janeiro de 2012

OLHAR DA JANELA

Todos os dias ando 120 km de ônibus e quando não estou dormindo ou absorvida numa leitura, observo a reação das pessoas.
De manhã os homens são campeões do mau-humor. Pedi com toda educação ao rapaz da poltrona à frente que fechasse a janela, afinal o vento era todo para mim e inflava meus rebeldes cabelos, enrijecia minha pele e ardia meus olhos. Com toda indelicadeza ele fechou a janela, daquele jeito "na sua casa não tem geladeira?" 
Estou aprendendo a tolerar o vento e as pessoas.
Certo dia uma família demonstrava entusiasmo como se a viagem fosse um passeio. Na verdade era um passeio o que para mim e tantos outros se tornara um fardo.
As filhas do casal fotografavam a beleza que nossos olhos acostumados de ver não percebiam mais. Então, mergulhei naquela aventura e resolvi olhar a paisagem bela e gratuita que passava pela janela. Como o cotidiano nos cega.
Nem mesmo o vento seco e alguns olhares cansados, nem eu, às vezes doente de cansaço ou preguiça, nada é capaz de apagar a vista da Serra do Estrondo, tão linda e da chegada a Palmas, uma visão nobre.
Nesse ir e vir muitas histórias ainda serão registradas aqui.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Piri


Piri tem cheiro de fruta no pé, de doce em calda, de café e biscoitos. Tem o calor de forno a lenha e de uma gente acolhedora.
A saudade que sinto dói, traz lembranças da infância, da juventude, de uma vida que nem mesmo vivi nesta vida.
Sempre vou embora levando na bagagem um pouquinho dessa terra mística. Sonho um dia voltar...

sábado, 7 de janeiro de 2012

AROMAS


De todos os aromas prefiro o do café. Tem cheiro da manhã, de energia, de boa conversa. Algo mágico.
Lembro quando morava em Pirenópolis, todos os dias descia uma rua estreita perto da pratinha e sentia o aroma doce e encorpado de café recém passado saindo de uma chaminé - acho que nem papai noel sabe mais o que é - e meus olhos e narinas tiveram o prazer de registar.
Dias desses entrei numa livraria para me distrair folheando qualquer coisa e elegi meu segundo aroma: livros novos. Que doce cheiro havia naquele lugar e ao invés de ler, inspirei o cheiro de aventura, conhecimento e arte.
Que junção maravilhosa o café e os livros. Talvez por isso nas boas livrarias  há um cantinho destinados a eles, unindo aromas de aconchego e conhecimento.